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•07/01/2010 • 1 comentário

detalhe ele preferia que Dex não descobrisse nunca, pois era algo tão perturbador que poderia atrapalhá-lo na batalha que estava por enfrentar contra Beric, ou pior.

– Me desculpe por não ter te contado antes, Dexen. Eu acho que no fundo não queria que você soubesse que eu não sou o seu verdadeiro pai. – disse Algred, finalizando a história.

Dex permaneceu estático e em silêncio.

– Diga alguma coisa filho, por favor. – implorou Algred, já angustiado.

– Não se preocupe, pai! O dia que o seu amigo voltar, eu vou explicar pra ele que eu já sou um herói, do jeito que ele queria! Eu não vou embora com ele, vou ficar com você!  Mesmo porque, você é o único pai que eu tenho! – concluiu Dex, abrindo seu rosto em um sorriso.

Algred sorriu juntamente com o filho, estava feliz que Dex não havia se deixado abalar por aqueles fatos, mas sabia que a vida de seu filho não seria fácil. Ele tinha apenas doze anos e já possuía terríveis laços ligando-o à perigosos homens, como Hur Ubon, Drakomir e Beric.  Algred temia pelo futuro de Dex, mas estava verdadeiramente feliz por ele ainda se considerar seu filho.

Então, com um silvo estridente, Majha atravessou o portal de entrada da torre trazendo consigo uma grande arca.

Dex ficou parado por um tempo, olhando para a arca, até que Algred anuiu com a cabeça, dando permissão para que ele a abrisse, e assim o fez.

– Roupas? – perguntou o garoto, meio sem graça.

– Procure direito. – ordenou o ancião.

Assim que vasculhou sob as vestimentas, Dex encontrou uma caixa de madeira. Ele a retirou de dentro da arca com cuidado.

– Isso?

– Sim, abra. – ordenou, novamente, Algred.

Para a surpresa de Dex, dentro da caixa havia duas manoplas de armadura e um elmo de aço, brilhando como novos.

As luvas eram compostas por partes de um aço escuro sobre uma cota de malha de elos resplandecentes.

O elmo foi feito para cobrir apenas a região onde nasciam os chifres de Dex, protegendo a testa e as laterais do rosto. O rosto, as orelhas e a nuca ficavam aparentes. O elmo também possuía dois furos, por onde passariam os chifres. Em suas bordas o acabamento era feito em couro, deixando-o mais confortável, e de sua lateral projetavam-se tiras de couro para serem amarradas atrás da cabeça

Podia-se perceber que o aço das manoplas e do elmo era de ótima qualidade e que aqueles eram incríveis projetos de algum artesão habilidoso. (continuar)

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•06/01/2010 • 1 comentário

– Eu prometo! – concordou sem pestanejar, não vendo a hora de usar aquele escudo.

Então, uma calma repentina tomou conta de Dex, como se ele tivesse acordado para o fato que havia chegado o momento pelo qual havia esperado toda a vida. Ele partiria numa missão verdadeira, na qual a vida de várias pessoas pesava sobre suas costas. Aquilo não era mais uma de suas brincadeiras.

Em pouco tempo chegou ao salão secreto, cujo nome verdadeiro era Salão dos Heróis.

– Por que o salão tem esse nome? Será que cada um desses objetos foi de um herói? Se foram, então porque estão guardados aqui? Será que todos esses heróis morreram?

Várias perguntas surgiam em sua mente, mas aquele não era o momento de pensar nas suas respostas.

Posicionou-se de frente para o escudo hesitando por um instante antes de pegá-lo. As palavras de seu pai lhe vieram à mente.

– Você é meu por direito. – disse ao escudo, como que pedindo permissão para usá-lo.

Encaixou o grande escudo no braço esquerdo, para novamente sentir que aquela arma havia sido feita para ele. Sentia o escudo como uma extensão de seu corpo.

Após atravessar o espelho, voltou correndo para onde estava Algred. Ao chegar lá, reparou que seu pai estava sozinho e que Mhaja desaparecera.

– Onde está Mhaja? Ela precisa me levar até a vila! – explicou.

– Filho, eu pedi que Mhaja encontrasse a carroça, no local onde Beric me atacou, e trouxesse algo aqui para a torre. Eu pretendia trazer eu mesmo, mas fui capturado antes. É um presente para você, que irá ajudá-lo na luta. – explicou Algred. – Ela deve chegar em breve, enquanto isso eu queria te contar algumas coisas sobre o seu passado. Sei que esse não é o melhor momento, mas acredito que tenho que fazer isso agora.

Então, durante aquele tempo em que esperavam pela felina alada, Algred explicou para Dex toda a história de como ele havia chegado à vila.

Dex escutava atento enquanto seu pai dizia que um antigo aliado dele, um homem muito poderoso e igualmente perigoso o havia deixado à sua porta. Seu nome era Hur Ubon e tinha os poderes da Pedra Mística. Era um justiceiro que não se importava em tirar vidas para conseguir o que queria. Soube que um dia aquele homem voltaria para levá-lo consigo e que teria que estar preparado para este dia.

Algred contou toda a história, não revelando a Dex apenas um detalhe. O significado do símbolo gravado nas armas que chegaram com ele. Aquele (continuar)

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•16/12/2009 • 1 comentário

– Maldição Dexen! Você pode ser morto! – esbravejou Algred, tentando aquele último recurso para impedir que seu filho corresse de encontro ao perigo.

– Eu sei. Mas tenho certeza que não vou perder para aqueles dois monstros covardes. – concluiu, passando uma confiança em seu discurso que fez Algred perceber que não teria como impedir seu filho de correr para tentar impedir aquele massacre.

– Está certo então, que os deuses te protejam e me perdoem por permitir isso. Pode ir. – concordou Algred, com pesar.

Antes que Dex pudesse ir buscar o escudo, Algred continuou:

– Dexen, tem algo que eu preciso te contar sobre o escudo e a espada de acailliun. Essas armas são suas por direito. – uma tosse violenta tomou conta do ancião, que chegou a cuspir sangue.

Dex não respondeu. Parecia não acreditar que o escudo que ele tanto desejava era realmente dele e agora que sabia sentiu-se hesitante em acreditar.

– Como assim… são meus?

– Eu já irei te explicar. Agora desça até o Salão dos Heróis e pegue o escudo. Mas a espada com o símbolo dos dragões formando o infinito deve ficar sempre lá. Prometa-me isso. – exigiu Algred. (continuar)

Pág. 157

•16/12/2009 • 1 comentário

– Mas pai! Beric e Gotho estão indo destruir a vila! Aquelas pessoas estão indefesas e eu preciso correr para salvá-las!

Algred não queria admitir, mas sabia que o filho tinha razão. A vila não teria nenhuma chance contra aqueles dois monstros e Dex parecia, realmente, ser a única esperança daquelas pessoas.

– Foi por isso que eu treinei todos esses anos! Para proteger as pessoas indefesas! Você sempre me ensinou isso e agora não pode querer me impedir! – argumentou Dex.

– Mas Dexen, você ficou desmaiado por horas, Beric e Gotho já estão muito longe! Você nunca vai conseguir chegar à vila a tempo… e mesmo que consiga, nem tem um escudo pra lutar contra eles! – insistiu Algred.

– Mhaja pode me levar para a vila em pouco tempo. E o escudo, eu poderia usar aquele escudo de accailiun que está guardado no salão secreto atrás do espelho! – explicou.

Algred não acreditava no que estava acontecendo. O destino estava fazendo com que seu filho acabasse usando aquelas armas malditas que traziam com elas uma herença indesejada.

Ele havia escondido as armas para que Dex nunca as usasse, agora, ele as havia descoberto e precisaria usar uma delas, pois ela era a única chance que ele teria de enfrentar a Vento Cortante e poder salvar as vidas dos moradores da vila sem perder a sua própria. (continuar)

Pág. 156

•15/12/2009 • 1 comentário

Olhou para o lado para encontrar a boleadeira sobre o chão, que aparentemente havia sido retirada de seu braço por alguém. Olhou mais adiante para surpreender-se ao constatar que ali estava Algred, desmaiado ao lado de Mhaja.

Correu até seu pai, que jazia inconsciente no chão do salão de entrada da torre, com um pequeno frasco de cristal vazio caído ao lado de sua mão.

Ele lembrou-se daquele frasco. Era um dos mais adornados daqueles que havia visto anteriormente no salão secreto.

O mesmo aroma suave que Dex sentia em sua boca exalava de dentro do pequeno frasco, fazendo-o ter certeza que seu pai o havia feito beber o misterioso elixir que ali era armazenado.

– Pai! Acorda! – gritou, tentando animar o velho ferido.

Lentamente, Algred abriu os olhos e sorriu ao constatar que seu filho estava em pé à sua frente.

– Dexen, você está bem. Eu estava preocupado. – murmurou, com dificuldades.

– Não diga isso! É você que está ferido! Eu vou pegar outra poção dessas pra você! – anunciou, pondo-se em pé para correr em direção ao salão secreto.

– Não… – disse Algred, segurando o filho pelo punho. – A que eu te dei era a última. Estava guardada para uma emergência.

– Mas e você? – revoltou-se Dex.

– Eu estou bem filho, só preciso descansar um pouco. – disse, tentando aparentar que não corria perigo de vida, mas sem muito sucesso, pois seu corpo estava seriamente ferido, repleto de profundos cortes e graves queimaduras.

– Você não está bem… está muito ferido. E a culpa é toda minha… e agora Guroah se foi por minha culpa também! – confessou Dex, com os olhos cheios de lágrimas.

– O que aconteceu com Guroah é realmente muito triste, filho, mas ele estava comprindo com o dever dele. Além disso, ele ansiava por continuar a jornada final e encontrar seus entes queridos. Era nisso que ele acreditava.

– Eu sei. Mas ele não precisava ser assassinado por aquele vilão maldito! Não desse jeito! Eu vou agora mesmo atrás do Beric e vou fazer ele pagar por isso! – declarou Dex, levantando-se como se quisesse partir numa jornada suicida.

– Não diga asneiras! Enfrentar aquele monstro está fora de cogitação! Você não é páreo pra ele! Se for ao encontro dele, será derrotado, perderá seus poderes e sua vida! E então o sacrifício de Guroah terá sido em vão. É isso que você deseja? – questionou Algred. (continuar)

Origem (pág. 155)

•27/11/2009 • 1 comentário

Ele encontrava-se em um local úmido e totalmente escuro. Sentia como se o chão onde pisava estivesse se movendo, ondulando-se vagarosamente como as águas do oceano.

Tinha uma sensação estranha, como se sua mente estivesse aberta e seus pensamentos disponíveis para qualquer um que quisesse vasculhá-los. Sentia-se dominado por uma desagradável sensação de leveza, como se seu corpo não fosse mais sólido, mas composto de nuvens.

Mas não se sentia sozinho ali. Sabia que não estava sozinho, tinha certeza disso.

Mesmo não conseguindo enxergar nada, podia sentir que, naquela escuridão, terríveis olhos negros o observavam. Era como se alguma coisa olhasse sua alma. Como se a coisa conhecesse sua verdadeira essência e pudesse ver com clareza todos seus desejos e ambições.

Um hálito quente e pesado passou por ele, trazendo um aroma proibido que por muito tempo permanecera esquecido. Um cheiro de fogo e sangue.

Aquele cheiro despertou vários sentimentos adormecidos. Sentimentos que nunca havia sentido antes, cuja existência era desconhecida para ele, mas que ao mesmo tempo eram tão próximos e familiares. Sentiu seu coração disparar por medo e excitação.

Ao passo que seu coração acelerava, o som dos batimentos de seu coração ficava mais alto, ecoando por todo aquele ambiente sombrio e ressonando em sua cabeça.

Quando parecia que seu peito iria explodir, pôde ver, em meio à escuridão, o contorno brilhante de dois grandes olhos negros. Eram como portais para o nada e davam a impressão que eram ainda mais escuros que a escuridão daquele local onde nada se podia enxergar. Os olhos o encaravam e com um último batimento, seu coração parou repentinamente.

Dex acordou.

Arregalou os olhos e respirou desesperadamente, enchendo seus pulmões de ar como se estivesse nadando por sua vida e depois de muito tempo prendendo o fôlego, tivesse conseguido chegar à superfície.

Ele sentou, acomodando-se do melhor jeito possível. Sentia seu corpo leve e saudável, como se tivesse acordado de um longo sono de descanso. Já não possuía nenhum ferimento e até o grande corte em suas costas havia desaparecido. Em sua boca, um sabor exótico e perfumado de frutas se fazia notar. (continuar)