Origem (pág. 155)
Ele encontrava-se em um local úmido e totalmente escuro. Sentia como se o chão onde pisava estivesse se movendo, ondulando-se vagarosamente como as águas do oceano.
Tinha uma sensação estranha, como se sua mente estivesse aberta e seus pensamentos disponíveis para qualquer um que quisesse vasculhá-los. Sentia-se dominado por uma desagradável sensação de leveza, como se seu corpo não fosse mais sólido, mas composto de nuvens.
Mas não se sentia sozinho ali. Sabia que não estava sozinho, tinha certeza disso.
Mesmo não conseguindo enxergar nada, podia sentir que, naquela escuridão, terríveis olhos negros o observavam. Era como se alguma coisa olhasse sua alma. Como se a coisa conhecesse sua verdadeira essência e pudesse ver com clareza todos seus desejos e ambições.
Um hálito quente e pesado passou por ele, trazendo um aroma proibido que por muito tempo permanecera esquecido. Um cheiro de fogo e sangue.
Aquele cheiro despertou vários sentimentos adormecidos. Sentimentos que nunca havia sentido antes, cuja existência era desconhecida para ele, mas que ao mesmo tempo eram tão próximos e familiares. Sentiu seu coração disparar por medo e excitação.
Ao passo que seu coração acelerava, o som dos batimentos de seu coração ficava mais alto, ecoando por todo aquele ambiente sombrio e ressonando em sua cabeça.
Quando parecia que seu peito iria explodir, pôde ver, em meio à escuridão, o contorno brilhante de dois grandes olhos negros. Eram como portais para o nada e davam a impressão que eram ainda mais escuros que a escuridão daquele local onde nada se podia enxergar. Os olhos o encaravam e com um último batimento, seu coração parou repentinamente.
Dex acordou.
Arregalou os olhos e respirou desesperadamente, enchendo seus pulmões de ar como se estivesse nadando por sua vida e depois de muito tempo prendendo o fôlego, tivesse conseguido chegar à superfície.
Ele sentou, acomodando-se do melhor jeito possível. Sentia seu corpo leve e saudável, como se tivesse acordado de um longo sono de descanso. Já não possuía nenhum ferimento e até o grande corte em suas costas havia desaparecido. Em sua boca, um sabor exótico e perfumado de frutas se fazia notar. (continuar)



[...] Ela dizia adeus. (continuar) [...]