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•12/02/2009 • 2 Comentários

O Caminho Correto (Pág. 164)

•09/02/2010 • 1 Comentário

Um ponto de luz surgiu no horizonte, sinal de que eles estavam chegando à vila. Em menos de uma hora, Dex e Mhaja haviam percorrido todo o caminho que ele e Algred haviam demorado mais de um dia para transpor de carroça.

Mhaja já estava diminuindo a altitude e a floresta vermelha já mostrava sinais de estar chegando ao fim, já que as árvores ali eram bem menores que as gigantes vermelhas que cresciam nas suas profundezas.

Rapidamente o ponto de luz foi crescendo, mostrando que na realidade aquela luz não vinha da vila, mas de um grande incêndio próximo a ela, na fazenda Lankor.

Dex chamou a atenção de Mhaja e apontou para a fazenda, e ela, por sua vez, prontamente atendeu ao pedido, dirigindo-se ao local.

Do alto dava para ver que as pequenas plantações de frutabomba das propriedades da região estavam intactas, o que era um bom sinal. Porém na fazenda Lankor, o cenário era de catástrofe e caos.

A construção principal tinha uma de suas laterais totalmente destruída e na plantação o fogo se espalhava rapidamente pelas árvores. Vários homens haviam formado uma brigada de combate ao fogo que ia do poço da propriedade até o maior foco de incêndio. Mulheres e crianças tentavam extinguir os focos de incêndio menores usando galhos e panos molhados. Todo aquele batalhão de pessoas estava sendo comandado por um homem no centro de toda confusão. Dex o reconheceu, aquele era Lankor, o pai de Eona.

– Será que Eona voltou para a fazenda? – perguntou-se Dex, imediatamente.

Ele descobriria mais tarde, pois agora tinha que ajudar a deter aquele terrível fogo.

Mhaja sobrevoava a plantação, procurando um local que não ardesse em chamas para pousar. Porém, assim que se aproximou do chão, uma forte explosão de uma das árvores lançou uma poderosa onda de choque contra eles.

A avassaladora e repentina explosão fez com que Mhaja rodopiasse sem controle, lançando-a juntamente com seu passageiro para dentro das chamas. Com um esforço heróico, Mhaja retorceu seu corpo usando suas asas para mudar a perigosa trajetória, terminando sua manobra com uma aterrissagem forçada.

Percebendo que iriam cair, Dex protegeu-se com o grande escudo, fazendo-os deslizar sobre o gramado da fazenda.

Pág. 163

•08/02/2010 • 1 Comentário

Ao longe, pôde ver a claridade do fogo e uma grande torre de fumaça emergindo da clareira onde Guroah havia ficado para enfrentar Beric, permitindo que ele e Algred fugissem. Um pequeno fio de esperança, que dizia que Guroah ainda poderia estar vivo, brotou em seu peito.

Mas sabia que o amigo não estava mais entre eles e gastar o precioso tempo para procurar seus restos mortais, agora, não era uma opção. Ele deveria chegar à vila o quanto antes e salvar o máximo de vidas que conseguisse, para que o sacrifício de Guroah não tivesse sido em vão.

Ao olhar para trás, pôde perceber que a iluminada torre de topázio agora era apenas um longínquo ponto luminoso. Haviam se distanciado da torre de tal maneira tão veloz que Dex nunca imaginaria ser possível. Poder voar realmente era uma habilidade extremamente útil, pois além do prazer e da liberdade de ganhar os céus, o vôo permitia alcançar qualquer lugar em pouco tempo.

Ele sabia que alguns heróis podiam voar e por um momento sentiu inveja por também não possuir essa incrível habilidade.

Mas também sabia que tinha grandes poderes e iria mostrar isso naquela noite.

Sabia que aquele era o seu destino. Agora que conhecia a verdadeira história de sua origem, tudo aquilo parecia fazer sentido de alguma maneira. Era como se a luta que estava por enfrentar fosse a consequência natural de tudo que havia vivido até aquele ponto.

Ele sabia que estava pronto. (continuar)

Pág. 162

•11/01/2010 • 1 Comentário

trazendo-o para junto de sua barriga. O conjunto formado pelos dois fazia parecer que no céu estava voando uma única estranha criatura. Era como se Dex tivesse nas costas uma bolsa com asas, presa ao seu tronco por meio de quatro patas.

Dex nunca havia voado daquela maneira com Mhaja. Ela era orgulhosa demais para aceitar ser tratada como um animal de carga, ou de montaria, e nunca havia levado ninguém com ela ou permitido que a cavalgassem.

Mas naquela ocasião ela abriria uma exceção. Mesmo sem poder falar, Mhaja era muito inteligente e com certeza daria tudo de si para salvar a vila, vingar Guroah e trazer justiça para aqueles vilões que haviam causado tanto mal.

Era incrível voar com ela.

Dex sentia os poderosos movimentos de suas asas vencendo a resistência do ar e impulsionando-os velozmente contra as nuvens. Antes que percebesse, alcançaram os céus muito acima da floresta vermelha, que vista daquela altura, assemelhava-se a um enorme tapete roxo sob a luz do luar.

Violentas rajadas de vento faziam com que seus olhos lacrimejassem e invadiam seus pulmões sem pedir permissão, tornando a respiração muito mais difícil que o normal.

Um frio na barriga, que veio acompanhado de um tremor incontrolável, tomou conta de seu corpo. Nunca havia estado em uma altura daquelas antes!

Mas não era medo que sentia e sim uma mistura de sensações onde se podia encontrar excitação e felicidade. Procurou relaxar. Abriu os braços e começou a aproveitar o prazer de voar de uma maneira que poucos conseguiriam na vida.

Agora conseguia entender porque Mhaja passava tanto tempo voando sobre a floresta. Seria impossível para uma criatura com tal habilidade ficar no chão por muito tempo. Com seu corpo colado ao dela, começou a entender como ela controlava o vôo, compensando as fortes rajadas de vento usando suas asas em conjunto com movimentos sutis de todo seu corpo. Mhaja aproveitava aquelas poderosas rajadas de vento, que poderiam arrancar uma árvore pelas raízes, com maestria, navegando-as sem dificuldade para conseguir manter a velocidade e a altitude sem ter que ficar batendo as asas freneticamente.

Eles estavam em tamanha altitude, que mesmo apesar da enorme velocidade, tudo lá em baixo parecia se mover lentamente. A luz da lua iluminava todo o cenário abaixo deles, fazendo tudo se tingir com tons de azul prateado.  Era possível distinguir a floresta e suas clareiras, com seus morros mais proeminentes assim como a escuridão de seus vales mais profundos. O rio Sangue parecia ser um grande ferimento escuro cortando a floresta. (continuar)

Pág. 161

•08/01/2010 • 1 Comentário

Além de serem armaduras extremamente belas, eram leves e ao mesmo tempo muito resistentes.

Eram trabalhos de um verdadeiro mestre.

– Como você conseguiu? – perguntou Dex.

– Eu havia encomendado na minha última viagem, com um mestre armeiro, um antigo amigo. – explicou.

– São lindas… – murmurou Dex, extasiado.

– Eu mandei fazer as luvas um pouco maiores, para você não perdê-las tão cedo. Usar o elmo fará com que as pessoas achem que seus chifres estão nele e não na sua cabeça. Já que não é mais possível esconder seus chifres, achei que seria uma boa idéia disfarçá-los. Isso vai lhe poupar vários problemas nas cidades. Espero que tenha gostado. – explicou Algred, com um sorriso nos lábios.

– Eu adorei! – respondeu, demonstrando a felicidade pelo presente dando um abraço no pai.

Algred não conseguiu evitar que lhe escapasse um leve gemido de dor ao ser abraçado pelo filho.

– Cuidado rapaz, seu velho pai está um trapo. – informou tentando esboçar um sorriso.

Dex olhou para o pai e uma extrema revolta de vê-lo naquele estado tomou seu peito. Além de salvar a vila, estava determinado a fazer os vilões pagarem pelo que fizeram a ele.

– Agüente firme até eu voltar. – disse ao pai.

– Tome cuidado, filho. Saiba que está preparado e que você foi meu aluno mais talentoso. Estou muito orgulhoso. Estarei aqui te esperando. – disse Algred olhando nos olhos do filho e completou. – Leve a boleadeira também, ela pode ser útil.

– Eu posso usar ela? – tentou confirmar Dex.

– Sim, eu já havia pensado em deixá-la com você, essa arma é minha. – explicou.

Dex concordou com a cabeça. Guardou a boleadeira na bolsa para depois vestir as manoplas e o elmo, que se fixou perfeitamente ao redor dos seus chifres fazendo-os parecer parte dele e deixando seus cabelos negros escaparem pela parte de trás.

Sem a cabeleira negra ao redor dos chifres, estes mostravam seu verdadeiro tamanho e eram grandes o suficiente para conferirem um aspecto intimidador ao pequeno garoto, que condizia perfeitamente com o incrível escudo de acailliun.

Ao sair da torre, Dex foi agarrado por Mhaja. Passando rapidamente por sobre o garoto, ela o levantou facilmente com suas poderosas garras, (continuar)

Pág. 160

•07/01/2010 • 1 Comentário

detalhe ele preferia que Dex não descobrisse nunca, pois era algo tão perturbador que poderia atrapalhá-lo na batalha que estava por enfrentar contra Beric, ou pior.

– Me desculpe por não ter te contado antes, Dexen. Eu acho que no fundo não queria que você soubesse que eu não sou o seu verdadeiro pai. – disse Algred, finalizando a história.

Dex permaneceu estático e em silêncio.

– Diga alguma coisa filho, por favor. – implorou Algred, já angustiado.

– Não se preocupe, pai! O dia que o seu amigo voltar, eu vou explicar pra ele que eu já sou um herói, do jeito que ele queria! Eu não vou embora com ele, vou ficar com você!  Mesmo porque, você é o único pai que eu tenho! – concluiu Dex, abrindo seu rosto em um sorriso.

Algred sorriu juntamente com o filho, estava feliz que Dex não havia se deixado abalar por aqueles fatos, mas sabia que a vida de seu filho não seria fácil. Ele tinha apenas doze anos e já possuía terríveis laços ligando-o à perigosos homens, como Hur Ubon, Drakomir e Beric.  Algred temia pelo futuro de Dex, mas estava verdadeiramente feliz por ele ainda se considerar seu filho.

Então, com um silvo estridente, Majha atravessou o portal de entrada da torre trazendo consigo uma grande arca.

Dex ficou parado por um tempo, olhando para a arca, até que Algred anuiu com a cabeça, dando permissão para que ele a abrisse, e assim o fez.

– Roupas? – perguntou o garoto, meio sem graça.

– Procure direito. – ordenou o ancião.

Assim que vasculhou sob as vestimentas, Dex encontrou uma caixa de madeira. Ele a retirou de dentro da arca com cuidado.

– Isso?

– Sim, abra. – ordenou, novamente, Algred.

Para a surpresa de Dex, dentro da caixa havia duas manoplas de armadura e um elmo de aço, brilhando como novos.

As luvas eram compostas por partes de um aço escuro sobre uma cota de malha de elos resplandecentes.

O elmo foi feito para cobrir apenas a região onde nasciam os chifres de Dex, protegendo a testa e as laterais do rosto. O rosto, as orelhas e a nuca ficavam aparentes. O elmo também possuía dois furos, por onde passariam os chifres. Em suas bordas o acabamento era feito em couro, deixando-o mais confortável, e de sua lateral projetavam-se tiras de couro para serem amarradas atrás da cabeça

Podia-se perceber que o aço das manoplas e do elmo era de ótima qualidade e que aqueles eram incríveis projetos de algum artesão habilidoso. (continuar)

Pág. 159

•06/01/2010 • 1 Comentário

– Eu prometo! – concordou sem pestanejar, não vendo a hora de usar aquele escudo.

Então, uma calma repentina tomou conta de Dex, como se ele tivesse acordado para o fato que havia chegado o momento pelo qual havia esperado toda a vida. Ele partiria numa missão verdadeira, na qual a vida de várias pessoas pesava sobre suas costas. Aquilo não era mais uma de suas brincadeiras.

Em pouco tempo chegou ao salão secreto, cujo nome verdadeiro era Salão dos Heróis.

– Por que o salão tem esse nome? Será que cada um desses objetos foi de um herói? Se foram, então porque estão guardados aqui? Será que todos esses heróis morreram?

Várias perguntas surgiam em sua mente, mas aquele não era o momento de pensar nas suas respostas.

Posicionou-se de frente para o escudo hesitando por um instante antes de pegá-lo. As palavras de seu pai lhe vieram à mente.

– Você é meu por direito. – disse ao escudo, como que pedindo permissão para usá-lo.

Encaixou o grande escudo no braço esquerdo, para novamente sentir que aquela arma havia sido feita para ele. Sentia o escudo como uma extensão de seu corpo.

Após atravessar o espelho, voltou correndo para onde estava Algred. Ao chegar lá, reparou que seu pai estava sozinho e que Mhaja desaparecera.

– Onde está Mhaja? Ela precisa me levar até a vila! – explicou.

– Filho, eu pedi que Mhaja encontrasse a carroça, no local onde Beric me atacou, e trouxesse algo aqui para a torre. Eu pretendia trazer eu mesmo, mas fui capturado antes. É um presente para você, que irá ajudá-lo na luta. – explicou Algred. – Ela deve chegar em breve, enquanto isso eu queria te contar algumas coisas sobre o seu passado. Sei que esse não é o melhor momento, mas acredito que tenho que fazer isso agora.

Então, durante aquele tempo em que esperavam pela felina alada, Algred explicou para Dex toda a história de como ele havia chegado à vila.

Dex escutava atento enquanto seu pai dizia que um antigo aliado dele, um homem muito poderoso e igualmente perigoso o havia deixado à sua porta. Seu nome era Hur Ubon e tinha os poderes da Pedra Mística. Era um justiceiro que não se importava em tirar vidas para conseguir o que queria. Soube que um dia aquele homem voltaria para levá-lo consigo e que teria que estar preparado para este dia.

Algred contou toda a história, não revelando a Dex apenas um detalhe. O significado do símbolo gravado nas armas que chegaram com ele. Aquele (continuar)