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•12/02/2009 • 2 comentários

Pág. 166

•13/07/2010 • 1 comentário

– Como assim? Eu quero ajudar a controlar o incêndio! Posso usar meus poderes pra ajudar vocês! – apelou novamente, sem entender aquela reação inesperada.

– Usar seus poderes? Malditos poderes! Por causa de pessoas como você e aquele maldito mercenário Lotar, eu perdi minha filha! Mesmo hoje, vilões com poderes como os seus, tentaram destruir minha fazenda! E olhe só o que aconteceu! Só desgraça acontece quando alguém com esses poderes resolve aparecer! Vá embora! – gritou Lankor, descontroladamente.

Com o grito do patrão, os soldados mostraram-se ainda mais ameaçadores e motivados a atravessar aqueles visitantes indesejados com suas lanças, com exceção do soldado que havia atacado Dex pelas costas, que segurava os dois pedaços de sua lança e analisava a ponta de metal, tentando entender porque ela havia se entortado totalmente.

Alheio à ameaça dos soldados, Dex ainda tentava digerir tudo que Lankor havia lhe dito. Não esperava esse tipo de reação das pessoas que tentava ajudar.

Também não entendia o porquê de Lankor dizer que havia perdido a filha, afinal ela tinha partido junto com ele dois anos atrás.

– Será que aconteceu alguma coisa com Eona? Será que ela está… morta?*

Dois anos se passaram sem que ele tivesse nenhuma notícia dela e esse tempo era mais que suficiente para que uma terrível tragédia pudesse ter acontecido.

Tenho certeza que ela está bem! – disse para si mesmo, acreditando realmente que um dia iria reencontrar sua amiga.*

Foi com um silvo de Mhaja que Dex voltou seus pensamentos para o presente.

– Vamos para a vila Mhaja, ainda temos que encontrar Gotho e Beric. – disse deixando a fazenda em chamas para trás.

A dupla ganhou os céus novamente, mas dessa vez não foram muito longe, pois assim que passaram os limites do muro que cercava a fazenda, Dex avistou logo à frente uma grande carroça encalhada no caminho para a ponte.

Assim que se aproximaram mais, Dex pôde reparar que aquela não era uma carroça comum, pois sobre ela, havia uma espécie de máquina composta de um enorme reservatório repleto de complexos mecanismos acoplados. A carroça e o reservatório eram na verdade uma grande máquina sobre quatro rodas, feita de madeira e ferro. O estranho reservatório parecia ser feito para carregar água, que escorria por algumas frestas, deixando toda a madeira do aparato molhada.

Pág. 165

•08/07/2010 • Deixe um comentário

Assim que a poeira baixou, Mhaja e Dex levantaram-se para descobrir que sua presença ali já havia sido notada. Vários soldados, equipados com lanças, vinham em sua direção.

Ao perceber a intenção nada amistosa dos soldados, Mhaja saltou na frente de Dex e arrepiando as finas penas de suas costas, abriu as enormes asas e soltou um silvo ameaçador, fazendo todos os soldados congelarem em seus lugares.

– Nós estamos aqui para ajudar! – gritou Dex para a turba de soldados.

Mas seu apelo foi em vão. Aparentemente, os soldados estavam assustados e prontos para atacar qualquer estranho que aparecesse na frente deles. Algo os havia aterrorizado. Ignorando os apelos de Dex, os soldados começaram a fechar um cerco ao redor deles, apontando as lanças ameaçadoramente para suas gargantas.

Um dos soldados precipitou-se aos outros e com um movimento traiçoeiro golpeou o flanco de Dex com a perigosa lança. A ponta da lança, embora muito afiada, era de metal e ao se chocar com o corpo de Dex resvalou como se tivesse sido usada contra o muro de um castelo.

Rapidamente Dex segurou a ponta da lança com uma das mãos já equipada com a manopla de aço que ganhara de Algred. Então encarou o soldado que o havia atacado de maneira tão covarde. Os olhos verdes e selvagens foram de encontro aos olhos do soldado, que sentiu como se estivesse de frente para um tigre que poderia atacá-lo e destroçá-lo quando bem entendesse.

– Eu não quero machucar vocês! – gritou Dex novamente, apertando a lança com uma única mão fazendo sua madeira estalar, partindo-a em duas.

– Parem! – gritou uma voz autoritária por trás dos soldados, impedindo seu avanço.

Era Lankor que se aproximava rapidamente.

– Quem é você? E o que quer aqui? – interrogou Lankor, aparentemente sem reconhecer Dex.

– Sou eu! Dex! Amigo de Eona! Eu vim aqui para ajudar! – explicou.

Lankor observou Dex em silêncio por algum tempo, até que a expressão de seu rosto mudou repentinamente.  O semblante controlado e autoritário que mantinha até ali, condizente com o de um comandante no campo de batalha, deu lugar a uma expressão de rancor e ódio assim que ele se lembrou quem era aquele garoto à sua frente.

– Vá embora, garoto! Não precisamos da ajuda de pessoas como você por aqui! – ordenou, firmemente. (continuar)

O Caminho Correto (Pág. 164)

•09/02/2010 • 1 comentário

Um ponto de luz surgiu no horizonte, sinal de que eles estavam chegando à vila. Em menos de uma hora, Dex e Mhaja haviam percorrido todo o caminho que ele e Algred haviam demorado mais de um dia para transpor de carroça.

Mhaja já estava diminuindo a altitude e a floresta vermelha já mostrava sinais de estar chegando ao fim, já que as árvores ali eram bem menores que as gigantes vermelhas que cresciam nas suas profundezas.

Rapidamente o ponto de luz foi crescendo, mostrando que na realidade aquela luz não vinha da vila, mas de um grande incêndio próximo a ela, na fazenda Lankor.

Dex chamou a atenção de Mhaja e apontou para a fazenda, e ela, por sua vez, prontamente atendeu ao pedido, dirigindo-se ao local.

Do alto dava para ver que as pequenas plantações de frutabomba das propriedades da região estavam intactas, o que era um bom sinal. Porém na fazenda Lankor, o cenário era de catástrofe e caos.

A construção principal tinha uma de suas laterais totalmente destruída e na plantação o fogo se espalhava rapidamente pelas árvores. Vários homens haviam formado uma brigada de combate ao fogo que ia do poço da propriedade até o maior foco de incêndio. Mulheres e crianças tentavam extinguir os focos de incêndio menores usando galhos e panos molhados. Todo aquele batalhão de pessoas estava sendo comandado por um homem no centro de toda confusão. Dex o reconheceu, aquele era Lankor, o pai de Eona.

– Será que Eona voltou para a fazenda? – perguntou-se Dex, imediatamente.

Ele descobriria mais tarde, pois agora tinha que ajudar a deter aquele terrível fogo.

Mhaja sobrevoava a plantação, procurando um local que não ardesse em chamas para pousar. Porém, assim que se aproximou do chão, uma forte explosão de uma das árvores lançou uma poderosa onda de choque contra eles.

A avassaladora e repentina explosão fez com que Mhaja rodopiasse sem controle, lançando-a juntamente com seu passageiro para dentro das chamas. Com um esforço heróico, Mhaja retorceu seu corpo usando suas asas para mudar a perigosa trajetória, terminando sua manobra com uma aterrissagem forçada.

Percebendo que iriam cair, Dex protegeu-se com o grande escudo, fazendo-os deslizar sobre o gramado da fazenda. (continuar)

Pág. 163

•08/02/2010 • 1 comentário

Ao longe, pôde ver a claridade do fogo e uma grande torre de fumaça emergindo da clareira onde Guroah havia ficado para enfrentar Beric, permitindo que ele e Algred fugissem. Um pequeno fio de esperança, que dizia que Guroah ainda poderia estar vivo, brotou em seu peito.

Mas sabia que o amigo não estava mais entre eles e gastar o precioso tempo para procurar seus restos mortais, agora, não era uma opção. Ele deveria chegar à vila o quanto antes e salvar o máximo de vidas que conseguisse, para que o sacrifício de Guroah não tivesse sido em vão.

Ao olhar para trás, pôde perceber que a iluminada torre de topázio agora era apenas um longínquo ponto luminoso. Haviam se distanciado da torre de tal maneira tão veloz que Dex nunca imaginaria ser possível. Poder voar realmente era uma habilidade extremamente útil, pois além do prazer e da liberdade de ganhar os céus, o vôo permitia alcançar qualquer lugar em pouco tempo.

Ele sabia que alguns heróis podiam voar e por um momento sentiu inveja por também não possuir essa incrível habilidade.

Mas também sabia que tinha grandes poderes e iria mostrar isso naquela noite.

Sabia que aquele era o seu destino. Agora que conhecia a verdadeira história de sua origem, tudo aquilo parecia fazer sentido de alguma maneira. Era como se a luta que estava por enfrentar fosse a consequência natural de tudo que havia vivido até aquele ponto.

Ele sabia que estava pronto. (continuar)

Pág. 162

•11/01/2010 • 1 comentário

trazendo-o para junto de sua barriga. O conjunto formado pelos dois fazia parecer que no céu estava voando uma única estranha criatura. Era como se Dex tivesse nas costas uma bolsa com asas, presa ao seu tronco por meio de quatro patas.

Dex nunca havia voado daquela maneira com Mhaja. Ela era orgulhosa demais para aceitar ser tratada como um animal de carga, ou de montaria, e nunca havia levado ninguém com ela ou permitido que a cavalgassem.

Mas naquela ocasião ela abriria uma exceção. Mesmo sem poder falar, Mhaja era muito inteligente e com certeza daria tudo de si para salvar a vila, vingar Guroah e trazer justiça para aqueles vilões que haviam causado tanto mal.

Era incrível voar com ela.

Dex sentia os poderosos movimentos de suas asas vencendo a resistência do ar e impulsionando-os velozmente contra as nuvens. Antes que percebesse, alcançaram os céus muito acima da floresta vermelha, que vista daquela altura, assemelhava-se a um enorme tapete roxo sob a luz do luar.

Violentas rajadas de vento faziam com que seus olhos lacrimejassem e invadiam seus pulmões sem pedir permissão, tornando a respiração muito mais difícil que o normal.

Um frio na barriga, que veio acompanhado de um tremor incontrolável, tomou conta de seu corpo. Nunca havia estado em uma altura daquelas antes!

Mas não era medo que sentia e sim uma mistura de sensações onde se podia encontrar excitação e felicidade. Procurou relaxar. Abriu os braços e começou a aproveitar o prazer de voar de uma maneira que poucos conseguiriam na vida.

Agora conseguia entender porque Mhaja passava tanto tempo voando sobre a floresta. Seria impossível para uma criatura com tal habilidade ficar no chão por muito tempo. Com seu corpo colado ao dela, começou a entender como ela controlava o vôo, compensando as fortes rajadas de vento usando suas asas em conjunto com movimentos sutis de todo seu corpo. Mhaja aproveitava aquelas poderosas rajadas de vento, que poderiam arrancar uma árvore pelas raízes, com maestria, navegando-as sem dificuldade para conseguir manter a velocidade e a altitude sem ter que ficar batendo as asas freneticamente.

Eles estavam em tamanha altitude, que mesmo apesar da enorme velocidade, tudo lá em baixo parecia se mover lentamente. A luz da lua iluminava todo o cenário abaixo deles, fazendo tudo se tingir com tons de azul prateado.  Era possível distinguir a floresta e suas clareiras, com seus morros mais proeminentes assim como a escuridão de seus vales mais profundos. O rio Sangue parecia ser um grande ferimento escuro cortando a floresta. (continuar)

Pág. 161

•08/01/2010 • 1 comentário

Além de serem armaduras extremamente belas, eram leves e ao mesmo tempo muito resistentes.

Eram trabalhos de um verdadeiro mestre.

– Como você conseguiu? – perguntou Dex.

– Eu havia encomendado na minha última viagem, com um mestre armeiro, um antigo amigo. – explicou.

– São lindas… – murmurou Dex, extasiado.

– Eu mandei fazer as luvas um pouco maiores, para você não perdê-las tão cedo. Usar o elmo fará com que as pessoas achem que seus chifres estão nele e não na sua cabeça. Já que não é mais possível esconder seus chifres, achei que seria uma boa idéia disfarçá-los. Isso vai lhe poupar vários problemas nas cidades. Espero que tenha gostado. – explicou Algred, com um sorriso nos lábios.

– Eu adorei! – respondeu, demonstrando a felicidade pelo presente dando um abraço no pai.

Algred não conseguiu evitar que lhe escapasse um leve gemido de dor ao ser abraçado pelo filho.

– Cuidado rapaz, seu velho pai está um trapo. – informou tentando esboçar um sorriso.

Dex olhou para o pai e uma extrema revolta de vê-lo naquele estado tomou seu peito. Além de salvar a vila, estava determinado a fazer os vilões pagarem pelo que fizeram a ele.

– Agüente firme até eu voltar. – disse ao pai.

– Tome cuidado, filho. Saiba que está preparado e que você foi meu aluno mais talentoso. Estou muito orgulhoso. Estarei aqui te esperando. – disse Algred olhando nos olhos do filho e completou. – Leve a boleadeira também, ela pode ser útil.

– Eu posso usar ela? – tentou confirmar Dex.

– Sim, eu já havia pensado em deixá-la com você, essa arma é minha. – explicou.

Dex concordou com a cabeça. Guardou a boleadeira na bolsa para depois vestir as manoplas e o elmo, que se fixou perfeitamente ao redor dos seus chifres fazendo-os parecer parte dele e deixando seus cabelos negros escaparem pela parte de trás.

Sem a cabeleira negra ao redor dos chifres, estes mostravam seu verdadeiro tamanho e eram grandes o suficiente para conferirem um aspecto intimidador ao pequeno garoto, que condizia perfeitamente com o incrível escudo de acailliun.

Ao sair da torre, Dex foi agarrado por Mhaja. Passando rapidamente por sobre o garoto, ela o levantou facilmente com suas poderosas garras, (continuar)