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•12/02/2009 • 2 Comentários

Pág. 158

•16/12/2009 • 1 Comentário

– Maldição Dexen! Você pode ser morto! – esbravejou Algred, tentando aquele último recurso para impedir que seu filho corresse de encontro ao perigo.

– Eu sei. Mas tenho certeza que não vou perder para aqueles dois monstros covardes. – concluiu, passando uma confiança em seu discurso que fez Algred perceber que não teria como impedir seu filho de correr para tentar impedir aquele massacre.

– Está certo então, que os deuses te protejam e me perdoem por permitir isso. Pode ir. – concordou Algred, com pesar.

Antes que Dex pudesse ir buscar o escudo, Algred continuou:

– Dexen, tem algo que eu preciso te contar sobre o escudo e a espada de acailliun. Essas armas são suas por direito. – uma tosse violenta tomou conta do ancião, que chegou a cuspir sangue.

Dex não respondeu. Parecia não acreditar que o escudo que ele tanto desejava era realmente dele e agora que sabia sentiu-se hesitante em acreditar.

– Como assim… são meus?

– Eu já irei te explicar. Agora desça até o Salão dos Heróis e pegue o escudo. Mas a espada com o símbolo dos dragões formando o infinito deve ficar sempre lá. Prometa-me isso. – exigiu Algred.

Pág. 157

•16/12/2009 • 1 Comentário

– Mas pai! Beric e Gotho estão indo destruir a vila! Aquelas pessoas estão indefesas e eu preciso correr para salvá-las!

Algred não queria admitir, mas sabia que o filho tinha razão. A vila não teria nenhuma chance contra aqueles dois monstros e Dex parecia, realmente, ser a única esperança daquelas pessoas.

– Foi por isso que eu treinei todos esses anos! Para proteger as pessoas indefesas! Você sempre me ensinou isso e agora não pode querer me impedir! – argumentou Dex.

– Mas Dexen, você ficou desmaiado por horas, Beric e Gotho já estão muito longe! Você nunca vai conseguir chegar à vila a tempo… e mesmo que consiga, nem tem um escudo pra lutar contra eles! – insistiu Algred.

– Mhaja pode me levar para a vila em pouco tempo. E o escudo, eu poderia usar aquele escudo de accailiun que está guardado no salão secreto atrás do espelho! – explicou.

Algred não acreditava no que estava acontecendo. O destino estava fazendo com que seu filho acabasse usando aquelas armas malditas que traziam com elas uma herença indesejada.

Ele havia escondido as armas para que Dex nunca as usasse, agora, ele as havia descoberto e precisaria usar uma delas, pois ela era a única chance que ele teria de enfrentar a Vento Cortante e poder salvar as vidas dos moradores da vila sem perder a sua própria. (continuar)

Pág. 156

•15/12/2009 • 1 Comentário

Olhou para o lado para encontrar a boleadeira sobre o chão, que aparentemente havia sido retirada de seu braço por alguém. Olhou mais adiante para surpreender-se ao constatar que ali estava Algred, desmaiado ao lado de Mhaja.

Correu até seu pai, que jazia inconsciente no chão do salão de entrada da torre, com um pequeno frasco de cristal vazio caído ao lado de sua mão.

Ele lembrou-se daquele frasco. Era um dos mais adornados daqueles que havia visto anteriormente no salão secreto.

O mesmo aroma suave que Dex sentia em sua boca exalava de dentro do pequeno frasco, fazendo-o ter certeza que seu pai o havia feito beber o misterioso elixir que ali era armazenado.

– Pai! Acorda! – gritou, tentando animar o velho ferido.

Lentamente, Algred abriu os olhos e sorriu ao constatar que seu filho estava em pé à sua frente.

– Dexen, você está bem. Eu estava preocupado. – murmurou, com dificuldades.

– Não diga isso! É você que está ferido! Eu vou pegar outra poção dessas pra você! – anunciou, pondo-se em pé para correr em direção ao salão secreto.

– Não… – disse Algred, segurando o filho pelo punho. – A que eu te dei era a última. Estava guardada para uma emergência.

– Mas e você? – revoltou-se Dex.

– Eu estou bem filho, só preciso descansar um pouco. – disse, tentando aparentar que não corria perigo de vida, mas sem muito sucesso, pois seu corpo estava seriamente ferido, repleto de profundos cortes e graves queimaduras.

– Você não está bem… está muito ferido. E a culpa é toda minha… e agora Guroah se foi por minha culpa também! – confessou Dex, com os olhos cheios de lágrimas.

– O que aconteceu com Guroah é realmente muito triste, filho, mas ele estava comprindo com o dever dele. Além disso, ele ansiava por continuar a jornada final e encontrar seus entes queridos. Era nisso que ele acreditava.

– Eu sei. Mas ele não precisava ser assassinado por aquele vilão maldito! Não desse jeito! Eu vou agora mesmo atrás do Beric e vou fazer ele pagar por isso! – declarou Dex, levantando-se como se quisesse partir numa jornada suicida.

– Não diga asneiras! Enfrentar aquele monstro está fora de cogitação! Você não é páreo pra ele! Se for ao encontro dele, será derrotado, perderá seus poderes e sua vida! E então o sacrifício de Guroah terá sido em vão. É isso que você deseja? – questionou Algred. (continuar)

Origem (pág. 155)

•27/11/2009 • 1 Comentário

Ele encontrava-se em um local úmido e totalmente escuro. Sentia como se o chão onde pisava estivesse se movendo, ondulando-se vagarosamente como as águas do oceano.

Tinha uma sensação estranha, como se sua mente estivesse aberta e seus pensamentos disponíveis para qualquer um que quisesse vasculhá-los. Sentia-se dominado por uma desagradável sensação de leveza, como se seu corpo não fosse mais sólido, mas composto de nuvens.

Mas não se sentia sozinho ali. Sabia que não estava sozinho, tinha certeza disso.

Mesmo não conseguindo enxergar nada, podia sentir que, naquela escuridão, terríveis olhos negros o observavam. Era como se alguma coisa olhasse sua alma. Como se a coisa conhecesse sua verdadeira essência e pudesse ver com clareza todos seus desejos e ambições.

Um hálito quente e pesado passou por ele, trazendo um aroma proibido que por muito tempo permanecera esquecido. Um cheiro de fogo e sangue.

Aquele cheiro despertou vários sentimentos adormecidos. Sentimentos que nunca havia sentido antes, cuja existência era desconhecida para ele, mas que ao mesmo tempo eram tão próximos e familiares. Sentiu seu coração disparar por medo e excitação.

Ao passo que seu coração acelerava, o som dos batimentos de seu coração ficava mais alto, ecoando por todo aquele ambiente sombrio e ressonando em sua cabeça.

Quando parecia que seu peito iria explodir, pôde ver, em meio à escuridão, o contorno brilhante de dois grandes olhos negros. Eram como portais para o nada e davam a impressão que eram ainda mais escuros que a escuridão daquele local onde nada se podia enxergar. Os olhos o encaravam e com um último batimento, seu coração parou repentinamente.

Dex acordou.

Arregalou os olhos e respirou desesperadamente, enchendo seus pulmões de ar como se estivesse nadando por sua vida e depois de muito tempo prendendo o fôlego, tivesse conseguido chegar à superfície.

Ele sentou, acomodando-se do melhor jeito possível. Sentia seu corpo leve e saudável, como se tivesse acordado de um longo sono de descanso. Já não possuía nenhum ferimento e até o grande corte em suas costas havia desaparecido. Em sua boca, um sabor exótico e perfumado de frutas se fazia notar. (continuar)

Pág. 154

•30/09/2009 • Deixe um comentário

Dex tentou levantar-se para ajudar seu guardião, mas era inútil. Não conseguia controlar seu corpo o suficiente nem para se colocar em pé, quanto mais para lutar contra tal oponente tão perigoso.

Foi quando escutou outro som familiar vindo do alto. Olhou para cima e constatou o que já desconfiava, Mhaja estava ali para ajudar também.

Ela carregava Algred com uma das garras e ao invés de descer, permaneceu voando a uma altura segura do inimigo.

Com um grande salto, Guroah distanciou-se de Beric e caiu ao lado de Dex, tomando-o em seus braços.

– É aqui que nós nos despedimos pequenino. Foi um prazer servi-lo. – despediu-se Guroah, sorrindo.

Entendendo imediatamente o plano de seus guardiões, Dex sentiu-se angustiado.

– Não! Eu não posso fugir e te abandonar! Você não pode com ele sozinho, vamos enfrentá-lo juntos! – pediu desesperadamente. – Você não pode nos deixar!

– Eu devo pequenino. Essa é a função de um guardião. Além disso, eu já deveria ter partido há muito tempo. Anseio por encontrar meus entes queridos, que me aguardam do outro lado. Adeus! – concluiu Guroah, com um sorriso de satisfação para depois arremessar o pequeno Dex para o alto.

– Nããããão! – gritou Dex, enquanto alcançava o céu, onde foi apanhado por Mhaja.

– Nããããão! – gritou, em fúria, Beric ao ver que os novos poderes que iria roubar estavam escapando por entre seus dedos, juntamente com Dex.

– Você vai pagar por isso sua besta maldita! – praguejou Beric, investindo contra Guroah, que emitiu um valente urro de batalha enquanto corria de encontro a seu adversário.

Mhaja ganhou os céus rapidamente, deixando para trás a pequena clareira em chamas onde Guroah faria seu sacrifício final.

Em pleno vôo Dex sentiu a cabeça latejar novamente. Não havia percebido ainda, mas Beric o havia ferido mais gravemente do que parecia. Sentiu seu corpo pesar como ferro e a visão novamente ficar obscurecida.

Como se fosse dormir um sono profundo, Dex lentamente foi ficando sem forças. Por fim, entregou-se ao cansaço e ao vento, limitando-se apenas a escutar o som ritmado das poderosas asas de Mhaja.

Antes de cair na escuridão profunda, Dex pôde ouvir uma grande explosão ao longe, que veio acompanhada do último urro de Guroah, o macaco-pedra, que havia feito o sacrifício que apenas os verdadeiros e mais valorosos heróis são capazes.

Neste momento, em meio à escuridão que se encontrava, conseguiu ver o amigo e guardião, que o olhava com os olhos serenos de quem cumpriu seu destino para ganhar o merecido descanso final. Como que trazida pelo vento, uma voz de trovão ecoou em sua mente.

Ela dizia adeus. (continuar)

Pág. 153

•29/09/2009 • 1 Comentário

Percebendo que quem estava às suas costas era Beric, transmutado em seu pai, Dex tentou virar-se de frente para o oponente, mas não foi rápido o suficiente.

O golpe certeiro atingiu as costas de Dex, que gritou de dor e caiu de joelhos com um enorme corte em diagonal em suas costas.

– Agora você é meu! – gritou Beric triunfante, que já havia voltado à sua forma original.

Rapidamente Beric agarrou a cabeça de Dex com ambas as mãos e olhando-o nos olhos abriu a boca, tomando fôlego, como se quisesse puxar o ar dos pulmões do pequeno garoto para os seus.

Os olhos de Beric começaram a emitir um brilho branco e lentamente, uma energia branca começou a surgir de todo o corpo de Dex, como se saísse pelos seus poros. Toda aquela energia percorria o corpo de Dex, chegando até sua cabeça onde concentrava-se nos olhos e boca, por onde saiam espessos veios de energia que dirigiam-se para a boca de Beric.

Dex estava consciente, mas sentia um leve torpor que não o permitia mover-se, como se estivesse num sonho onde o espírito assiste alheio o que acontece com o corpo, sem nada poder fazer. Sentia suas forças sendo drenadas, e a media que seu desespero foi aumentando, sua visão foi ficando turva.

Estava a apenas um passo de perder totalmente a consciência, quando sentiu um forte tranco em seu corpo. Mesmo com a visão turva, Dex foi capaz de ver um grande vulto negro passando ao seu lado para atingir o monstro, que sugava sua vida, em cheio. Um urro bestial preencheu todo aquele momento e por mais incapacitado que Dex estivesse, ele reconheceu aquele som. O som que tantas vezes causou arrepios em sua nuca agora vinha para tranqüilizá-lo naquele momento decisivo. Guroah os havia encontrado.

Deitado de onde estava, no chão na floresta, Dex conseguiu abrir os olhos o suficiente para ver o macaco-pedra se engalfinhando com Beric. Ele assistia a tudo, mas para ele parecia que a luta acontecia com movimentos muito lentos.

Após ser libertado do abraço parasita de Beric, Dex começou a recobrar lentamente suas forças. Já havia conseguido ficar sentado, mas seus braços e pernas ainda estavam dormentes e sentia sua cabeça latejando como se tivesse um ferro em brasa em seu cérebro.

Conseguiu ver Beric passar voando ao seu lado, para depois atingir uma árvore que se partiu e começou a cair devido ao monstruoso impacto. Sem perder tempo, Guroah partia para cima do vilão, atacando violentamente, mas aparentemente Beric não apresentava nenhum ferimento, ao contrário de Guroah que já mostrava alguns cortes profundos espalhados pelo corpo. (continuar)